SUA VISÃO DE MUNDO É MEDÍOCRE?

IMG_8022-001Em primeiro lugar vou definir o que é “Medíocre” para que que não seja apedrejada: “Medíocre, levado ao significado mais próximo da raiz da palavra, significa mediano. Não é tido como um insulto, não designa o que está abaixo da média e, sim, aquilo que está exatamente na média, cujo resultado fica entre o bom e o mau; ou que fica entre o que é grande e o que é pequeno.” (fonte significadosbr.com.br)

Quando temos uma visão medíocre das coisas, do mundo, do nosso mercado de trabalho, temos uma visão mediana. Uma visão mediana é aquela que simplesmente colhe e acata discursos propagados aos quatro cantos sem uma crítica mais profunda ou avaliação dos fatos. Se quisermos resultados efetivos, em qualquer coisa, temos que fugir de olhares e opiniões medíocres. Temos que fugir das “verdades” impostas por certos grupos, pela mídia ou por pessoas com intenções obscuras que nem sempre sabemos. Temos sempre que olhar para todos os lados e de todos os ângulos. Temos que ser também, advogados do diabo.

Vamos falar por exemplo sobre das polêmicas da Lei Rouanet que é da nossa área. Uma das polêmicas foi a da Maria Bethânia. Ela aprovou R$ 1,3 milhão para criar blog “O Mundo Precisa de Poesia”. Vamos analisar os fatos: 1)- Maria Bethania teve a aprovação dos 1,3 milhão – para ser captados. Na época da polêmica não diziam isso, não diziam que era só uma aprovação e não uma captação. 2) – O projeto previa a publicação de 365 vídeos produzidos por Andrucha Waddington que é diretor e produtor de cinema e publicidade brasileiro. É um dos sócios da Conspiração Filmes que fez dezenas de filmes entre eles “Eu, Tu, Eles”.

O blog pretendia além de textos, intervenções etc postar diariamente, durante um ano, vídeos bem filmados, produzidos e editados que falassem sobre poesia. Agora vejam o orçamento: 1.300.000 – 100 mil de captação que é o teto = 1.200.000. Mas precisa de um captador? Sem um bom captador é difícil ir ao mercado e conseguir este montante. Então sim, o trabalho dos bons e honestos captadores é importante. É um trabalho demorado, difícil e que leva tempo até que se consiga convencer, mesmo com o benefício da lei, que haja um patrocínio.

Bem, dos 1.200.000 que ficam podemos dividir em 365 dias e chegaremos ao resultado de menos de R$ 3.300,00 por dia. Este dinheiro diário seria para pagar: coordenação do projeto, prestação de contas, contador, divulgação, manutenção do site, direitos autorais, eventuais funcionários, programação e hospedagem do site, cachês e a produção de um vídeo feito em grande qualidade por um importante cineasta e os vários impostos. Garanto que não é um grande valor porque nessa área infelizmente tudo é muito caro principalmente quando é uma grande produção e com pessoas importantes.

Mas aí, o Zeca Pagodinho que aprovou para seu DVD 4 milhões, Luan Santana 4 milhões, Claudia Leite 6 milhões, Ivete Sangalo 2 milhões etc. Por um ou pouco mais de 2 shows e gravações etc. Muitos que conseguiram captar. Aí ninguém falou nada, ou quase nada. Ou falam muito também quando o Pedro Lourenço conseguiu aprovação, mas não conseguiu captar a tempo, R$ 2,8 milhões para seu projeto de ir a Paris com sua moda .

Mas onde está a mediocridade em achar isso tudo um absurdo? Não, isso é mesmo um absurdo para um país como o Brasil. Um país com tantas dificuldades na cultura poderia dividir melhor esta verba. Então, tem muita coisa errada, a lei Rouanet tem muito o que mudar. Mas, o que tem que mudar? As mudanças propostas e que estão em votação não são boas? Se são boas como podemos articular para melhorar e apressar a votação? Se não são boas o que faremos? Vamos acabar com a lei? Quais os números reais de quem é beneficiado com a lei? Quem faz mal uso da lei? Quanto representam os números destes benefícios no orçamento geral da União? Qual o custo x benefícios ela gera, ou não gera? Etc. Só ao responder pontualmente e com fatos estas e outras tantas perguntas é que começaremos a saber se realmente ela é boa ou ruim e o que teremos que fazer.

A mediocridade está quando repetimos os discursos, como a tal Raquel Scherazade do SBT, onde simplesmente fala mal da lei, da antiga ministra Marta Suplicy, faz um discurso político e acaba com a moral de uma lei que muito além do que polemiza, patrocina inúmeros bons e importantes  projetos. A mediocridade está em fincar o pé em um discurso, certo ou errado, e bombardear quem não concorda com isso. A mediocridade está em não sair da nossa zona de conforto e tentar ver as variadas realidades. A mediocridade está quando queremos simplificar a lógica como na piada do português -ou italiano ou brasileiro –  e do japonês (eu conto essa piada no áudio gravado desse texto – veja no meu soundcloud).

O buraco é mais embaixo, a solução para tantos problemas que temos na vida, na carreira, no trabalho, na política, na vida em sociedade é outro. O problema real é que dá trabalho, tem que ler e pesquisar sobre o assunto, ser resiliente e tem que aceitar opiniões. Nada está certo. A lei Rouanet não está certa, tem muita coisa errada. As leis de incentivo não estão certas. Os políticos não estão certos.  A humanidade não está certa. Mas, há sempre o outro lado. Ao pensar assim, ao pensar de verdade e entender de verdade o problema poderemos chegar a soluções realmente efetivas. Não há almoço gratis. As soluções, muitas vezes simples, são trabalhosas. O mérito não é estar certo e convencer as pessoas, o mérito é ouvir as pessoas, olhar e entender a situação e aí mudar a nossa idéia com a certeza de que estamos evoluindo.

Precisamos sair da mediocridade ´para melhorar nosso trabalho, nossa vida, nosso sonhos. Os medíocres, por preguiça ou desconhecimento, simplesmente acatam, repetem e se contentam com o que diz e manda a maioria. Ter pensamentos e questionamentos variados nos faz sair do médio e nos leva para discursos e soluções mais inteligentes e efetivas. Quando tivermos no pensamento a certeza de que não temos certeza do que estamos afirmando, estaremos no caminho certo.

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PATROCÍNIO DESVINCULADO DE LEIS DE INCENTIVO

ResolviPATROCINIO escrever este texto pois há muito venho dizendo, ao pessoal da cultura principalmente, que elaborar projetos e procurar PATROCÍNIO não está vinculado ao cadastro em leis de incentivo ou editais. Projetos e patrocínio devem e acontecem independente de se cadastrar ou não em uma lei ou edital.

Para entender um pouco mais trouxe o primeiro “mecenas”: Gaius Maecenas ou Caio Cílnio Mecenas (68-8 a.C.), conselheiro do imperador Cesar Augusto o filho de Júlio César. Ele criou a sua volta a permanência de amigos intelectuais e artistas. Era um patrocinador de todos, tornando-se um modelo para vários outros governantes e pessoas importantes. Tudo isso sempre com a intenção também de melhorar a própria imagem. Desde então, com toda essa fama e modelo copiado, o termo “mecenas” se tornou adjetivo para aqueles que patrocinavam as artes e os seus artistas. E claro esse patrocínio veio sempre com a contrapartida da fama e da boa imagem para quem o fazia.

Passados muitos e muitos anos ainda hoje as belas artes e agora muito mais a cultura em sua totalidade abrangendo a culinária, patrimônio, línguas, costumes e tal, está ainda dependente, e com razão, dos “mecenas”, dos patrocinadores que por aí buscamos. O mecenato, ou PATROCÍNIO, tem basicamente três pontos de atuação: o marketing, o cultural e o social. Nas duas últimas áreas vem sendo desenvolvido e pensado os incentivos fiscais para que seja mais efetivo a participação de empresas e pessoas físicas. Ponto positivo.

Principalmente na área da cultura, no Brasil, temos leis federais, estaduais e municipais. As leis federais trabalham com incentivos às empresas e pessoas físicas através do IR, podendo o patrocinador descontar do imposto o valor patrocinado. As leis estaduais trabalham com incentivos através do ICMS. As leis municipais são variáveis de acordo com o município e trabalham com o IPTU e ISS para os incentivos. E a “grosso modo”, a empresa deposita na conta do projeto o valor X, guarda o recibo e na hora de pagar o imposto faz o abatimento de acordo com as normas.

Muito legal né? Só que com essa prática, e com o aumento dos cursos sobre projetos, produção, captação de recursos e outros, tem se deixado, erroneamente, a impressão de que as leis de incentivo e editais estão vinculados aos projetos e vice-versa. Com a quantidade de novos projetos e novas possibilidades estão quase todos, patrocinadores e patrocinados, VICIADOS em patrocínios apenas via leis de incentivo. Ponto negativo.

Quando se elabora e escreve um projeto o principal objetivo dever ser realiza-lo, de uma forma ou de outra. Muita gente me procura para auxiliar nos problemas com captação. Costumo dizer sempre que o mais fácil é escrever e aprovar um projeto, o difícil, mesmo é vender o projeto para um possível patrocinador. Portanto há de se entender que o patrocínio é a peça fundamental para realizar os projetos e para isso não necessariamente deverá acontecer vinculando uma lei de incentivo. Essa prática está viciando o mercado que cada vez só quer patrocinar se tiver um benefício fiscal.

 

A INTELIGÊNCIA é entender que PATROCÍNIO É DESVINCULADO DAS LEIS DE INCENTIVO. Patrocínio é uma via de mão dupla, é um ganha X ganha. Mas, sendo você o maior interessado, deverá então construir os argumentos necessários para o convencimento. Vender também é uma arte. E ela pode acontecer sem uma lei de incentivo e se por acaso houver, ela tem que ser a “cereja do bolo”. E sobre vendas falo na próxima vez.

Eu estou a disposição pra gente conversar e trocar Ideias.  Gostou? Curta, Comente, envie SEUS COMENTÁRIOS e dicas. Mas principalmente compartilhe, CONHECIMENTO TEM QUE CIRCULAR. 😉